Joana Bicho - Psicóloga | Na Despersonalização e Desrealização
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despersonalização

Talvez todos nós ao longo da vida experimentámos momentos em que nos sentimos a “viajar”, “distantes de nós próprios”, “como se tivéssemos num sonho acordados”, “ficar a olhar para o espaço e não ter a noção do tempo passar”, ou “sentirmo-nos estranhos no nosso corpo”, etc. A esse tipo de processo chamamos de Dissociação. A dissociação é um processo que pode ocorrer em pessoas sem qualquer perturbação psicológica ou psiquiátrica. A despersonalização e a desrealização são formas de dissociar e que envolvem uma mudança na experiência ou percepção de si próprio e do que o rodeia. Este tipo de sensações só se torna num distúrbio (patológico) quando acarreta um marcado sofrimento psíquico e o torna disfuncional ao nível social, laboral, e emocional.

A despersonalização e desrealização estão, na maioria das vezes, associados a episódios de ansiedade, depressão, e pânico. Muitas vezes as pessoas dissociam primeiro e depois experienciam um ataque de pânico devido ao processo ser demasiado assustador. Isto porque num episódio de despersonalização o que é familiar é sentido como novo, irreal, estranho ao próprio eu.

Os sintomas passam por: 

·· Sentimento de estar desligado do próprio corpo, como se o tivesse observar de fora;
· Sentir que o ambiente à sua volta é irreal (sensação de viver num sonho);
· As coisas parecem irreais e/ou desfocadas, estranhas;
· Fotossensibilidade;
· Os outros e o mundo podem parecer “estranhos”;
· Ter pensamentos estranhos e achar que está a enlouquecer ou que vai perder o controlo.

Como referido a despersonalização / desrealização é um dos processos que pode ocorrer num episódio de pânico, causando um elevado sofrimento para quem o vive.

Normalmente este tipo de “sensações” passa quando o nível de ansiedade baixa. Este transtorno pode durar momentos, dias e até semanas, uma vez que pode andar com níveis de ansiedade bastante altos sem se aperceber disso, assim como pode ocorrer em episódios depressivos. O que sucede é que fica com medo de voltar a sentir um episódio de pânico e de sentir este tipo de sensação e vive excessivamente preocupado, com medos, receios e numa constante vigília sobre aquilo que pensa, sente, faz. Parece existir uma híper- consciencialização de tudo ao seu redor e do seu próprio corpo. Está demasiado centrado em si. À mínima sensação estranha, como por exemplo uma simples sensação de tontura, o alarme interno dispara, desencadeando um ciclo vicioso em que se torna difícil sair.

Quando a mente fica muito carregada e cansada devido a momentos prolongados de stress ou ansiedade, ela procura defender-se. Isto é, quando estamos cansados psicologicamente e emocionalmente a nossa psique arranja forma de se defender e estas sensações descritas em cima são fruto disso. Trata-se de um mecanismo de defesa, muitas vezes desencadeado pela vivência de uma situação traumática; isto é, uma forma de protecção de toda a ansiedade e conflitos que pairam no inconsciente. Temos que ver a despersonalização como um sinal de que algo não está bem interiormente, e não ficar centrado no sintoma, pois deste modo, ele agravará ainda mais.

Caso os sintomas persistam procurar ajuda profissional é a melhor forma de compreender as suas causas e, assim, melhorar.

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