Joana Bicho - Psicóloga | Estados Depressivos nas Crianças e Adolescentes
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A tristeza é um sentimento normal e uma condição inerente a qualquer ser humano. Todas as crianças, adolescentes e adultos se sentem tristes de vez em quando, passando por períodos de alguma tristeza, sendo esta um processo que tem de ser contextualizado e percebido como “desilusões normais” e indispensáveis ao crescimento e desenvolvimento humano.

Quando se perde alguém, quando se passa por uma situação de divórcio ou de mudança, entre outras situações, a tristeza é uma resposta ativa e necessária a um luto que tem de ser vivido. Contudo, é preciso chamar a atenção para o fenómeno da depressão (diferente da tristeza normal) nas crianças e adolescentes, que ocorre, muitas vezes, mais cedo do que se possa pensar.

Na idade pré-escolar (até aos 6 anos), uma criança deprimida pode apresentar alguns sintomas, sendo os mais frequentes estados físicos como dores de cabeça frequentes, dores de barriga, fadiga e tonturas. Associadas a estas queixas físicas estão a ansiedade (nomeadamente a ansiedade de separação), fobias, agitação psicomotora, irritabilidade, perturbações do sono e da alimentação, enurese e encoprese, comunicação deficiente, isolamento social e dificuldade em brincar. Em idade escolar (a partir dos 7 anos até aos 12 anos) pode surgir humor depressivo já capaz de ser verbalizado, relatado como tristeza, irritabilidade ou tédio. Podem apresentar uma aparência cabisbaixa, choro fácil, apatia, isolamento social, fobia escolar, obsessões, fadiga intensa, alterações do sono e da alimentação, e também sintomas físicos.

A depressão nos adolescentes costuma apresentar sintomas semelhantes aos dos adultos. No entanto os adolescentes deprimidos podem não manifestar apenas tristeza, mas também irritabilidade e raiva, rebeldia, comportamentos de oposição, aborrecimento e tédio, sentimentos de desespero e culpa, perturbações do sono e alteração do peso, prejuízo no desempenho escolar, social e relacional, baixa auto-estima e pensamentos suicidas. O consumo de drogas é também comum nesta fase, como uma tentativa de fuga ao real estado de depressão em que o adolescente se encontra.

Há que distinguir o que é uma fase transitória no processo adolescentil, em que todos os sintomas acima referidos acabam por ser normais e passageiros, daquilo que se torna persistente, duradouro e que reflete um sofrimento patológico que está a ser difícil de gerir.

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